Espécies
e Variedades
As
espécies do gênero Coffea, mais difundidas no Mundo são
Coffea arábica L e Coffea canepohora.
A
espécie C Arábica L é a mais importante, produzindo
café da mais fina qualidade e sendo responsável por 80%
do café exportável do Mundo.
No
Brasil, as principais variedades cultivadas de arábica são
a Mundo Novo, a Catuai Vermelho e Catuai Amarelo.
Dentro
da variedade Mundo Novo foram selecionados algumas linhagens com sementes
maiores e com boa produção que, tendo apresentado essas
características de interesse econômico, receberam o nome
de Acaiá, que significa frutos de sementes graúdas.
A
espécie C Caphora, vulgarmente conhecida como Robusta, é
cultivada em menor escala no Mundo. Devido sua ampla distribuição
geográfica na África é capaz de adaptar-se a variadas
condições climáticas. Produz o chamado café
Robusta, de bebida inferior, hoje conhecido mundialmente. Por se tratar
de produto mais barato vem tendo aceitação no mercado
mundial de café. Como é rico em sólidos solúveis
é usado na indústria de café solúvel e em
misturas com arábicos na indústria de torrefação
e moagem.
No
Brasil, é cultivada no Espírito Santo e Rondônia,
principalmente, e é conhecida como Conilon que é uma corruptela
de Kouillou que é uma variedade de Robusta.
Começa
a ganhar corpo no Brasil o plantio de cultivares originários
do cruzamento entre plantas de C Arábica e C Canephora, os Icatu
e os Catimores. Estes cultivares, incorporam certas características
do arábica, como por exemplo a bebida, e outras do robusta como
resistência a ferrugem, vigor, etc. O cultivo desses cultivares
deverá crescer bastante na medidad em que avance a sua seleção.
Classificação
Comercial do Café
1
- Considerações Gerais
As
transações com bens de consumo são reguladas por
diversos fatores, entre os quais se destacam, logicamente. a quantidade
e a qualidade. As necessidades do consumidor e o seu interesse aquisitivo
determinam as qualidades comerciáveis daqueles bens. Quando,
porém, as produções se apresentam aos mercados
em maior volume que a necessidade dos mesmos, surge a competição
entre os vendedores, que irão procurar atrair os compradores.
Assim, vários serão os motivos capazes de decidir a compra.
Se as outras condições forem iguais, prevalecerá,
então, a qualidade.
O café, como bem de consumo, sofre essas mesmas influências.
As safras brasileiras representavam no inicio do século, 70 a
80% das vendas mundiais de café. As crises de produção
eram transitórias e as soluções encontradas dentro
do próprio País. Assim, com relativa facilidade, restabelecia-se
o equilíbrio entre a oferta e a procura.
Atualmente, a cultura do café estendeu-se por muitas outras regiões
do mundo, tendo sido modificado o panorama da economia cafeeira. As
produções mundiais cresceram rapidamente, e mais que o
consumo. Paises produtores nossos concorrentes investiram maciçamente
em qualidade e “marketing” ganhando mercados do café
brasileiro, resultando na queda das nossa exportação para
menos de 30% do café exportado no mundo.
Para sobrevivência de nossa cafeicultura, acreditamos que o Brasil
tenha que seguir o caminho da qualidade. A procura de novos mercados,
assim como uma maior divulgação do café brasileiro
no exterior, servirão, também, para aumentar o consumo
mundial e, consequentemente nossas exportações.
Movimentos neste sentido surgiram em Minas Gerais onde o Estado, através
do Instituto Mineiro de Agropecuária, procedeu à demarcação
das suas regiões cafeeiras, demarcação essa que
é a base para o lançamento. no mercado externo e também
no interno, de marcas regionais com origem e qualidade certificadas.
Neste sentido, entidades de produtores já se movimentaram no
sentido de definir padrões regionais, estabelecer estratégias
de atuação no mercado Mundial. (inclui o interno), já
tendo, inclusive, realizado ações de apresentação
de seu produto em vários paises.
Para dar suporte técnico, do ponto de vista da avaliação
da qualidade, a essas ações. tanto do lado do estado quanto
da iniciativa privada, é necessária a c técnica
e comercial para orientar as ações de mercado.
2
- Classificação do Café no Brasil
Na classificação do cafê brasileiro, a determinação
da qualidade compreende duas fases distintas:
a) classificação por tipos ou defeitos;
b) classificação pela qualidade.
2.1-
Histórico
A primeira referência que se tem no Brasil, para a classificação
do café, data de 6.3.1836, quando o Presidente da Província
do Rio de Janeiro assina a regulamentação da Lei número
33, daquela Província cujo artigo 7 diz: “O café
será qualificado em três qualidades, a saber: Primeiro
sorte, segunda sorte e escolha. A primeira sorte será da grãos
chumbados, com algumas pintas ou quebras. A segunda, de grãos
muito desiguais ou esbranquiçados. A terceira, é constituída
da escolha ou restolho. Pelo que se depreende da lei, parece-nos que
a finalidade era apenas de ordem fiscal. Entretanto, a primeira exportação
de café de que se tem notícia, data de 1821. embora em
quantidade inexpressiva.
Em 1871, Peckolt, no seu livro História das Plantas Alimentares
do Brasil, no capitulo E-Café do Brasil, à pag. 35. d
o seguinte: Os cafés no comércio do Rio de Janeiro, dividem-se
em cafés de serra-acima e cafés de serra-abaixo: distinguindo
entre eles os lavados e os de terreiros. Segundo o grau de limpeza e
cuidadosa preparação, terreno apropriado e posição
favorável. admitem-se as seguintes qualidades no nosso comércio:
superior, primeira boa, primeira regular. primeira ordinária,
segunda boa, segunda ordinária; o café quebrado em pequenos
pedaços chama-se canjica. e vem poucas vezes ao comércio.
Nas mesmas fontes de informações, encontramos também,
citado por Paulo Porto Alegre, que escreveu em 1878. serem as classificações
internas como as que descrevera Peckolt: entretanto, os mercadas externos
adotavam, por essa época, especificações diversas
para os cafés oriundos do nosso pais.
De um modo geral. os cafés eram designados pêlos portos
de embarque e os do Brasil se conheciam por: Cafés do Rio. Cafés
de Santos, Cafés da Bahia e Cafés do Ceará. A regulamentação
e as bases do comércio só surgiram um século após
a introdução do café no Brasil. com o parecer de
uma comissão cesignada pela Associação Comercial
do Rio de Janeiro. Exarado em 23.10.1872 e que a partir de 1.7.1873,
fixou em 60kg o peso de uma saca de café.
Em 1928, Oliveira Filho, à pag. 28 de sua publicação,
editada pela Secretária da Agricultura do Estado de São
Paulo, dizia: “O nosso principal produto é vendido em partidas.
sem classificação comercial.
Como se vê, pela disparidade nas qualidades do nosso grande produto
e pela falta de exatidão na sua medida, havia realmente necessidade
de uma classificação mais explicita dos tipos, com medidas
exatas. o que se tomou fácil de criar, tratando-se de uma análise
física.
Rogério de Camargo e Adalberto de Queiroz Tel em 0 Café
no Brasil”(volume II, 1953). informam que a Bolsa de café
de Nova lorque, fundada em 1885. criou uma Tabela de classificação
para o produto oriundo do Brasil, que se baseia na contagem dos “defeitos”
eventualmente contidos no café beneficiado, Essa tabela estabeleceu
uma definição dos tipos possíveis de serem medidos
e expressos em algarismos.
Dividia o café em 9 tipos. Ó tipo 10 era aplicado às
escolhas, e foi suprimido em 1904; o mesmo ocorreu com o tipo 9, por
volta de 1928, quando se proibiu a entrada, nos Estados Unidos, de café
abaixo do tipo 8.
Decreto- Lei número 19.318 de 27.8.1930, ficou proibido o transporte,
o comércio e a exportação de café inferior
ao tipo 8.
Pelo Decreto-lei número 51 de 8.12.1937, os cafés com
mais de 1% (um por cento) de impurezas, tais como paus, pedras, torrões,
cascas, pergaminhos, cocos ou quaisquer substâncias estranhas
ao produto, não considerados os defeitos intrínsecos do
próprio café. ficam proibidos de transitar, de serem comercializados
e de serem exportados.
As tabelas de “Equivalência dos Defeitos” e de classificação
por tipo, atualmente adotadas, foram reconhecidas, primeiramente, pelo
Decreto número 18.796, na sua regulamentação datada
de 11.6.1929 e, a seguir, pelo Ministério do Trabalho, Indústria
e Comercio número 24.541, de 7.1934.
O Decreto número 27.173 de 14.9.1949 revogou o Decreto número
24.541 de 3.7.1934 e aprovou s especificações e tabelas
para a classificação e fiscalização do café,
visando a sua padronização. Por este Decreto os cafés
seriam classificados por tipos e equivalência de defeitos de acordo
com as tabelas atualmente em uso e adotadas pela Bolsa Oficial de Café
de Santos.
Todavia, desde 1907, a praça de Santos já adotava a classificação
da Bolsa de Nova lorque.
Em 1952, pela Lei número 1.779 foi criado o Instituto Brasileiro
do Café para realizar a política econômica do café
brasileiro no pais e no estrangeiro.
No artigo 3º parágrafo 5 diz serem atribuições
do BC: “definir a qualidade dos cafés de mercado ara o
consumo do interior e do exterior, regulamentando e fiscalizando os
tipos e qualidade no comércio interno e na exportação,
podendo adotar medidas que assegurem o normal abastecimento do mercado
interno.”
Pelo Decreto número 41.080, de 2.3.1957, foi fixada a competência
exclusiva do Instituto brasileiro do café para a padronização.
classificação, fiscalização, exames e análises
do café.
2.2
- Classificação por tipos
A classificação por tipos, adotada entre nós! admite
7 tipos de valores decrescentes de 2 a 8 e resultante da apreciação
de uma amostra de 300 gramas de café beneficiado, segundo normas
estabelecidas na “Tabela Oficial Brasileira de Classificação”.
A cada tipo corresponde um maior ou menor número de defeitos
(grãos imperfeitos ou impurezas).
Os defeitos podem ser de natureza intrínseca e se constituem
de grãos alterados, quer pela imperfeita aplicação
dos processos agrícolas e industriais, quer por modificações
de origem fisiológica ou genética(os pretos, os ardidos,
os verdes, os chochos, os mal granados, os quebrados e os brocados):
e extrínseca, que são representados pêlos elementos
estanhos ao café beneficiado (coco, marinheiro, cascas, paus
e pedras).
Para estabelecer a equivalência dos defeitos, tomou-se como base
o grão “preto”, que é considerado o padrão
dos defeitos ou defeito capital.
Os outros, tais como os ardidos, os brocados, os paus, as pedras, etc,
são considerados secundários.
Assim ao examinarmos a Tabela de Equivalência de defeitos, verificamos
que um grão preto é igual a 1 (um) defeito.
A vezes, entretanto, são necessários vários grãos
imperfeitos para corresponder a um defeito (cinco grãos verdes
equivalem a um defeito).
Conhecidos os defeitos de uma determinada amostra, pode-se facilmente
determinar a que tipo corresponde o café.
O tipo é chamado “tipo base”, por corresponder à
grande porcentagem dos cafés que então apreciam lotes
expostos à comercialização: principalmente no porto
de Santos.
Na tabela de classificação existe ainda uma coluna para
‘pontos”. onde se lê o número de pontos atribuídos
aos tipos e seus intermediários.
Entre um tipo e outro há uma diferença de 50 pontos, subdivididos
de 5 em 5 positivos e crescentes do tipo 4 para o tipo 2 , e crescentes
negativamente do tipo 4 para o tipo 8.
Os pontos da tabela, na classificação, eram, originalmente
levados em consideração, tendo em vista cada ponto apresentar
um valor em cruzeiro. Assim, a um dado tipo se diminuía ou se
acrescentava um valor monetário, dependendo do tipo considerado
pela cotação.
Na prática, para se determinar o tipo de um café, procede-se
da seguinte manei
- espalha-se a amostra de 300 gramas em mesa própria para classificação
,provida de boa iluminação, em cima de uma folha de cartolina
preta;
- em seguida, catam-se e separam-se, por categoria, os defeitos nela
contidos;
- a seguir, cantam-se os defeitos segundo as especificações
da “Tabela Brasileira dos Defeitos” e, de acordo com número
encontrado, determina-se o tipa.
Amostras com menos de 300 gramas ou partes da amostra também
podem ser classificadas, principalmente em cafés inferiores.
Entretanto, deve-se fazer a conversão em porcentagem para 300
gramas para obtenção do tipo correspondente.
Todavia, os classificadores bem treinados são capazes de determinar
o tipo co café pela simples apreciação visual da
amostra (golpe de vista).
Na classificação por tipo não influem o aspecto,
a seca, o preparo, o tamanho da fava, a cor, o aroma, a bebida, etc.
2.2.1
- Determinação dos tipos intermediários e construção
da tabela de Classificação de café.
Podemos
calcular os tipos intermediários da tabela da classificação
desde que se conheça o número de defeitos dos tipos exatos.
Para construirmos a tabela procedemos da seguinte maneira:
1 - Fazemos a subtração do número
de defeitos do tipo inferior para o tipo imediatamente superior;
2 - Dividimos o valor encontrado na operação
anterior pelo número ce escalonamentos existentes entre um tipo
e outro, que é dez;
3 - O resultado da divisão (arredondado para
mais, quando superior 0’S. e para menos quando inferior) é
adicionado ao número de defeitos do tipo superior. Em seguida
somam-se esses valores encontrados no item 2 até chegarmos no
tipo inferior:
4 - A tabela a seguir é um exemplo da construção;
5 - Os resultados encontrados nos cálculos matemáticos,
divergem um pouco dos valores encontrados na Tabela oficial, possivelmente,
por erros cometidos na confecção da tabela original.
Os grãos esmagados. os crivados, os meio-pretos. os mordidos
pêlos despolpadores. os ‘cafés- cabeça”,
os “pretos-verdes” ou “geados” os “Triângulos”
e os cafés podres não constam de tabela de equivalência
dos grãos imperfeitos.
Os “cafés-cabeça”, não são considerados
defeitos. Entretanto, a sua separação dá origem
a urna concha e um miolo de concha, este erradamente chamado de mal
granado.
Os grãos denominados “pretos-verdes” ou “geados
têm uma coloração preta brilhante oriunda da película
prateada. Estes cafés na realidade são grãos ardidos
e devem ser classificados nesta categoria.
Os grãos denominados meio-pretos, são caracterizados,
pelo seu aspecto, isto é, se apresentam com aproximadamente 50%
do grão afetado naquela coloração, e são,
para efeito de sua classificação. considerados equivalentes
ao grão ardido.
Os “triângulos” são os grãos que apresentam
o formato triangular por serem provenientes de a frutos com ovário
trilocular.
Os cafés podres são causados principalmente pelo excesso
de umidade em contato prolongado com o chão, goteiras. ou nos
armazéns mal construídos, onde a umidade do piso é
transferida as primeiras fiadas dos cafés armazenados. Estes
cafés não podem ser comercializados, entretanto na categoria
dos não negociáveis (N.N.), impróprios portanto
para o consumo.
Os cafés podres não são classificados. Emitem-se
laudos de constatação.
Os cafeeiros que apresentam alta porcentagem de chochos, causados por
fatores genéticos, apresentam também elevada porcentagem
de “cafés-cabeça”.
3 – Classificação pela Qualidade
Para se determinar a qualidade de um produto, devem-se analisar os diversos
fatores que determinam o seu grau de aceitação, estabelecido
pelo mercado consumidor dentro ce uma escala de comparação.
Decreto número 27.173. de 14.9.1949, aprova as especificações
e tabelas para a classificação e fiscalização
do café, além da determinação do tipo e
da norma para a classificação por descrição,
nas quais são apreciadas as seguintes qualificações:
café, fava, peneira, aspecto, cor, seca, preparo, torração
e bebida.
3.1
-Café
Neste item, classifica-se o café pela estime ou variedade de
sua origem. Temos por exemplo: Arábica e Robusta ou Conilon.
3.2
- Fava
Fava são os grãos destacados dos frutos, e classificados,
segundo a forma e tamanho.
Quanto à forma de suas favas, os cafés recebem as denominações
de chatos e mocas.
Quanto ao tamanho das favas, classificam-se em graúda, boa, média
e miúda.
O café chato é constituído pêlos grãos
provenientes de frutos desenvolvidos normalmente, tendo as suas dimensões
proporcionais . segundo as variedades de onde provêm. O seu comprimento
e sempre maior do que a largura: a parte dorsal dos grãos é
convexa e a sua parte ventral é lana ou levemente côncava,
com uma ranhura central disposta no sentido longitudinal.
O grão denominado moca é arredondado, também mais
comprido do que largo e afinado nas antas. Há também a
ranhura central no sentido longitudinal. O café moca é
proveniente da não fecundação de um dos óvulos
do fruto que normalmente apresenta duas lojas. Assim, apenas um grão
se desenvolve, preenchendo o vazio deixado pelo outro e tomando a forma
conhecida como moca.
3.3
- Peneira
Com relação ao seu tamanho ou peneira, como são
mais conhecidas, as favas são qualificadas segundo as dimensões
dos crivos das peneiras oficiais que as retenham. Estas peneiras são
designadas por números, os quais divididos por 64, fornecem a
indicação do tamanho dos furos. expresso em frações
de polegadas.
Há peneiras de crivos redondos para a medição dos
cafés chatos e as de crivos alongados para os mocas. Sob o ponto
de vista técnico, é de suma importância a separação
por peneiras, pois permite a seleção das favas de acordo
com o seu tamanho, separando em grupos possíveis de uma torração
mais uniforme. Isso porque , enquanto na torração de uma
‘bica corrida” as favas graúdas ficam apenas tostadas,
as miúdas já podem estar carbonizadas.
A classificação dos cafés por peneiras é
a seguinte:
Chato grosso - peneira 17 e maiores
Chato médio - Peneira 15 e 16
Chatinho - peneiras 12,13 e 14
Moca grosso - peneira 11 a 13
Moca médio - peneira 10
Moquinha - peneira 8 e 9
Em geral. somente os híbridos atingem até a peneira 22.
A Ordem de colocação (montagem) das peneiras para a separação
de um café” bica corrida” é a seguinte:
| PENEIRA |
FORMA |
FAVA |
PENEIRA |
FORMA |
FAVA |
| 19/20 |
chato |
graúda |
15 |
chato |
|
| 13 |
moca |
graúda |
9 |
moca |
|
| 18 |
chato |
graúda |
14 |
chato |
|
| 12 |
moca |
graúda |
8 |
moca |
|
| |
|
|
13 |
chato |
miúda |
| 17 |
chato |
boa |
12 |
chato |
|
| 11 |
moca |
boa |
11 |
chato |
|
| |
|
|
10 |
chato |
|
| 16 |
chato |
média |
9 |
chato |
|
| 10 |
moca |
média |
|
chato |
|
O
vazamento máximo permitido para cada peneira é de 10%.
Porcentagem acima desses limites passam a se constituir novas peneiras.
3.4
- Aspecto
O aspecto do café é de fundamental importância no
julgamento de sua qualidade, pois permite prever sua boa ou má
torração. Pela simples inspeção podemos
c quanto ao aspecto em bom, regular ou mau.
O aspecto é considerado bom quando a maioria dos grãos
são perfeitos, uniformes no tamanho na core na seca.
O aspecto é considerado mau quando algumas ou todas as características
acima referidas não são uniformes e há ainda a
ocorrência grãos defeituosos.
O aspecto regular é aquele que apresenta condições
intermediárias.
3.5
- Cor
A coloração dos grãos que também é
de grande importância, influindo decisivamente rio aspecto varia
de acordo com o envelhecimento do café.
Contribuem também para a variação da cor: o grau
de secagem, o tempo de exposição ao ar livre e á
luz solar, o método de preparo (via seca ou úmida), as
condições de armazenamento, o brunimento, o ferimento,
etc.
Empregam-se as seguintes denominações para se definir
as principais tonalidades do café 1 verde-cana, verde-azulado
(muito desejada nos despolpadas), verde-claro, esverdeado amarelado-claro,
cor de palha, chumbado, barrento, etc.
A classificação adotada para a exportação
é a seguinte: verde, esverdeada, clara, amarelada e amarela.
3.6
- Seca
No que diz respeito à boa qualidade do produto, a seca é
um fator essencialmente importante influindo, de maneira decisiva, no
aspecto e na torração do café.
Seca boa é aquela que confere ao café uniformidade na
cor, consistência dos grãos, indicando ter sido bem conduzida
desde a colheita.
Seca má é aquela em decorrência da qual os grãos
se apresentam manchados ou úmidos e ou excessivamente secos.
A seca regular é intermediária.
Hoje, com a existência de aparelhos eletrônicos, o estado
da seca do produto é determinado pela porcentagem de umidade
encontrada nos grãos. Um café tecnicamente preparado deve
apresentar, após o beneficiamento. uniformidade na cor e na consistência
dos grãos e possuir um teor de umidade entre 11 e 12% uma vez
tratado por “via seca”, e entre 12 e 13% se obtida a por
“via úmida”.
A seca pode ser classificada, então em boa, regular e má.
3.7.-
Preparo
Quanto ao preparo classifica-se em café de terreiro, despolpado
ou lavado e semi-lavado.
Pode-se reconhecer o sistema de sua preparação pela cor
dos grãos e pelo aspecto da “película prateada”.
Os cafés despolpados possuem uma cor brilhante, translúcida
e verde-azulada que os caracteriza e uma película de cor prateada”.
Os cafés de terreiro têm cor semi-fosca e sua película
apresenta-se amarelada ou mesmo marrom. Os semi-lavados tem características
próximas ás dos despolpados.
É preciso salientar, aqui, o que acontece quando alguém
toma frutos que já ultrapassaram c estádio de cereja e
os coloca de molho em água até incharem, passando-os nos
despolpadores. Resulta o que chamamos de cafés macerados, facilmente
reconhecíveis por apresentarem a membrana prateada com coloração
escura.
3.8
- Torração
A prova de torração é, sem dúvida, um ponto
de fundamental importância na classificação do café,
por ser de grande ajuda para definir a sua qualidade. Defeitos que não
são observados no café cru, aparecem na torração.
A torração para a prova é feita em torradores especiais
constituídos de fornalha (ou sistema elétrico), tambor
giratório, ventilador e esfriador.
As “bocas’, como são chamadas são aquecidas
e ai colocadas os cafés que permanecem em constante movimento
até atingirem “o ponto de torração caracterizado
por uma coloração achocolatada clara, denominada “torração
americana:. Uma torração muito intensa encobre os defeitos
que o café pode conter e não permite aquilatar, com eficiência
, o seu aroma e se sabor.
Atingindo c ponto de torração exigido para a prova, faz-se,
imediatamente, a descarga ao café para um recipiente denominado
‘ a fim de se evitar a perda do aroma ativado durante o processo
e para que o calor absorvido na torração não provoque
o escurecimento dos grãos. Em seguida. é passada para
uma bandeja de alumínio, de tipo especial. Aí ele é
examinado cuidadosamente.
A
torração é classificada de acordo com o aspecto,
ou pela contagem de grãos que deixaram de torrar ou de mostrar
a cor característica dos despolpados. se for o caso.
A torração dos cafés de terreiro poderá
ser considerado “fina”, “boa”, “regular”
e “má”.
A torração é considerada “afina” quando
a totalidade dos grãos se apresentam de cor homogênea e
sem imperfeições.
Na torração, os grãos verdes e ardidos ficam amarelados
e os grãos pretos parecem carbonizados; os quebrados, conchos
e os mal granados, devido ao seu volume reduzido em relação
aos grãos perfeitos tornam-se mais escuros.
A torração do café despolpado pode ser considerada
como” característica”, quando a maioria dos grãos
apresentarem a ‘membrana prateada”, clara e bem nítida
no sulco ventral do grão.
Quando um café despolpado não apresentar estas particularidades,
será classificado como torração não característica’,
perdendo, assim, no comércio, a condição de café
despolpado.
Torração boa á aquele que apresenta poucas irregularidades
na cor e no aspecto dos grãos de café (máximo de
2% de imperfeição).
Torração regular - quando apresentam maiores irregularidades
na cor e no aspecto (máximo de 10% de imperfeição).
Torração má - acima desses limites.
3.9
- Bebida
A provada xícara surgiu no Brasil no inicio do século
XX e foi adotada pela Bolsa Oficial de Café
e Mercadorias de Santos, a a partir de 1917, pouco depois de sua instalação
em 1914. No
entanto, até hoje não se estabeleceu um critério
uniforme para a sua realização, que varia de
entidade para entidade.
Não há dúvida de que o fator mais importante na
determinação da qualidade é a bebida. Esta avaliação
é feita pêlos degustadores, em função, principalmente,
dos sentidos do gosto, co olfato e do tacto.
O contato e relações do corpo com o mundo exterior se
fazem através de cinco órgãos dos sentidos tacto,
gosto. Olfato, visão, audição. Vejamos alguma coisa
dos três sentidos que estão piais diretamente ligados à
determinação da qualidade da bebida.
O
Sentido do Tacto
As terminações nervosas na pele e nas mucosas são
responsáveis pelo sentido do tacto que se manifesta por diferentes
impressões. No caso do degustador ce café as impressões
tácteis é que são sentidas na ponta da língua
através das papilas filiformes, que respondem aos estímulos
de contato e pressão. É o caso da bebida dura que é
percebido pelo sentido do tacto, dentre outros.
O
Sentido do Gosto
O sentido do gosto está na língua que tem uma estrutura
muscular, presa na parte posterior ao osso hióide e na parte
inferior por uma prega chamada freio. A língua é envolvida
por uma membrana mucosa que além de grande sensibilidade táctil
apresenta saliências que são as papilas gustativas. Nelas
estão conectadas as terminações nervosas, que levam
as sensações de gosto ao cérebro.
Existem vários tipos de papilas gustativas na língua.
As mais importantes são as caliciformes e as fungiformes.
Os quatro sabores fundamentais são o doce , o amargo, o ácido
e o salgado. As combinações entre os 4 sabores fundamentais
é que permitem a distinção de uma enorme variedade
de gostos. A ponta da língua possui papilas que identificam o
sabor doce e o salgado; a base da língua o amargo e os bordos,
o ácido e o salgado.
O asseio da boca, dos dentes e da língua preservam o sentido
do gosto. O fumo, as bebidas alcóolicas e outras substâncias
irritantes prejudicam-no.
O
Sentido do Olfato
No nariz é que estão localizadas as terminações
nervosas do olfato.
Essas terminações são sensíveis aos odores
trazidos pelo ar que respiramos, levando essas sensações
ao cérebro.
Para manter o sentido do olfato em boas condições, devemos
manter as fossas nasais limpas. evitar cheiros muito fortes, formação
de catarro e abolir o fumo.
Tudo aquilo que pode ser percebido pelo sentido do olfato denomina-se
aroma. A combinação de gosto e aroma confere o sabor.
Os indivíduos cujos sentidos de gosto e olfato sejam pouco desenvolvidos,
incapazes, portanto. de distinguir num ensaio preliminar um café
“Rio” de um “Mole” evidentemente n devem opinar
na ‘prova de xícara”, principalmente em se considerando
estas faculdades como de fundamental importância na qualificação
técnica e comercial do café.
O café, após ter sido torrado e moído em moinhos
especiais em granulação apropriada é colocado em
xícaras (pirex ou louça).
A técnica correta recomenda que a infusão seja preparada
na proporção de 10 g de pó para 100 ml de água.
qual é colocada sobre o pó, quando em ponto de primeira
fervura. A infusão é mexida com a concha. Nesta oportunidade,
a classificador já deve cheirá-la, a fim de obter um julgamento
preliminar pêlos aroma dos vapores desprendidos. Assim, o degustador
já poderá ter indicações de certa importância
na qualificação da bebida.
Após mexer a infusão, costuma-se retirar a espuma que
sobrenada.
O exame final é feito depois que o pó se depositou no
fundo do pirex e a infusão estiver morna. Para facilitar esse
resfriamento, as mesas de prova são giratórias. Cada degustador
habitua-se uma temperatura para a sua prova.
Com o auxílio de uma concha, servem-se cuidadosamente algumas
porções de infusão, com a finalidade de julgar
o gosto daquela bebida.
Nesta operação, o degustador conserva o gole de café
ria boca apenas o tempo suficiente para sentir o seu sabor. expelindo-o,
a seguir, numa cuspideira. A classificação do café
por bebida é um trabalho que exige bastante conhecimento, grande
prática e, principalmente, paladar apurado, a fim de se poder
distinguir, com precisão, as variações da bebida.
Portanto, quaisquer perturbações nos órgãos
do gosto e o olfato, podem afetar o julgamento final do produto.
Equipe de provadores e repetição das amostras em estudo,
diminuirão os erros comuns de análise.
A bebida padrão é a bebida ‘mole” que se traduz
num gosto agradável, brando e doce. As demais classificações
são dadas em função da bebida ‘
Assim, o “estritamente mole” apresenta, em conjunto, todos
os requisitos de aroma e sabor da bebida “mole”, porém
mais acentuados.
O apenas mole” é assim considerado quando o seu sabor é
levemente suave, inferior aos anteriores, mas sem adstringências
ou asperezas de paladar.
Em seguida, temos a bebida dura”, que se apresenta com gosto acre,
adstringente e áspero. Entretanto, esse café não
apresenta paladares estranhos.
O “Riado” é um café com leve sabor típico
de iodofórmio.
O “Rio” apresenta cheiro e gosto acentuado de iodofórmio.
Existem ainda denominação regionais, cafés Rio
Zona, para qualificar uma bebida com características bem mais
acentuadas que as da bebida Rio.
A boa técnica recomenda que a prova de xícara deva ser
iniciada (quando várias amostras estão em julgamento)
pelo pirex que aparentemente apresenta a infusão de melhor paladar,
cujo índice é dado pelo aroma desprendido.
Diversas amostras da mesma bebida básica podem apresentar nuances
de sabor, podendo ter “motes muito encorpados”, “encorpados”
e sem corpo”: elas podem ser com teve acidez cítrica (proveniente
do ambiente onde é preparado o grão), apreciada por muitos,
ou com acidez acética (proveniente de fermentação
sofrida durante a secagem mal conduzida.
Outra expressão muito utilizada pêlos técnicos é
“corpo” que é uma sensação deixada
rio paladar do provador oriunda de causas ainda não bem esclarecidas,
caracterizada como riqueza de sabor.
Devemos considerar, ainda, na apreciação da bebida, a
possível ocorrência de gostos estranhos. tais como: os
de terra, mofo, azedo, chuvado, avinagrado, fermentado, etc.
O café tem grande capacidade de absorver aromas de outros produtos,
que estejam próximos (perfumes. sabonete, fumaça, etc.).
Para concluir, diríamos que para a maioria dos mercados as demais
características do café. a analisadas nesta exposição
(tipo aspecto, peneira, cor, seca e torração), não
influem de maneira acentuada no valor do produto como qualidade da bebida.
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